A Liturgia Perdida
A corte que deveria ser o bálsamo da pacificação social despiu-se de seus mantos de seda para expor a truculência do poder nu.
Na disputa política escancarada, a sobriedade dos ministros cedeu espaço ao cálculo partidário, diluindo no plenário a postura refinada e educada que a liturgia do cargo exige.
O espetáculo provocou um veredito unânime da sociedade: a arquitetura do tribunal precisa mudar.
Fixar mandatos e redefinir o rito das indicações deixaram de ser meras propostas técnicas e tornaram-se urgência republicana.
Sem a alternância necessária no topo, o risco é converter magistrados em pequenos ditadores obscuros, blindados por um poder vitalício.
Restaurar a sobriedade não é apenas reformar regras institucionais, mas resgatar a essência de um tribunal criado para pacificar a nação.
Os ministros, na última sessão da Corte, pareciam lutadores de pancrácio e mostraram que a ética e os bons modos precisam retornar ao plenário e aos bastidores.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota: J. Tannus — Advogado, radialista, desenhista, professor de Direito e comentarista de rádio e TV, dedica-se à análise crítica do cenário institucional e político brasileiro. Suas crônicas buscam refletir sobre a ética, a cidadania e o papel republicano das instituições no país.
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