Quando o Poder Tem Sobrenome: A Herança que Corrói a República
O Estado democrático de direito brasileiro tem donos, posseiros, usurpadores que enriqueceram mamando cada gota do suor e do sangue da cidadania.
E o poder tem muitos filhos.
São descendentes que crescem acreditando que a máquina pública é uma extensão natural da permissividade paterna, onde cada afago guarda um atalho e cada porta abre para um privilégio.
Os políticos fingem uma cegueira crônica para a moralidade, com seus sorrisos treinados, simulam surpresa diante de óbvias suspeitas, como se não soubessem que a influência hereditária é o mais antigo vício da República.
A cada nova investigação, repetem o mantra da moralidade, jurando que ninguém está acima da lei, embora todos saibam que alguns circulam por cima dela como quem passeia por uma passarela iluminada e corrupta.
O cinismo dá as mãos à hipocrisia e, assim, a estrutura estatal vai sendo corroída por dentro, espoliada por mãos que nunca deveriam tocá-la.
No fim, resta ao povo assistir ao espetáculo, onde a herança de poder se confunde com direito adquirido e a impunidade se disfarça de normalidade.
Afinal, na política brasileira, votamos no pai e elegemos a família, os parentes e todos os agregados como se fossem um único candidato.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!
Nota do autor – A crônica reflete a inquietação de quem observa, há décadas, a repetição dos mesmos vícios que atravessam a política nacional. Não é sobre indivíduos, mas sobre estruturas que se perpetuam e se protegem. É hora de expor o desconforto diante da normalização do abuso de influência. É um convite à reflexão sobre o preço que a sociedade paga quando o poder se torna hereditário. Assino com a convicção de que a crítica é, ainda, uma forma de resistência.
J. Tannus



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