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Holding: solução estratégica ou risco silencioso?

Publicada em: 25/03/2026 12:42 -

Holding exige planejamento e pode esconder riscos quando mal estruturada

 

Por Marcelo Berloffa¹

 

A holding virou moda no meio empresarial. Mas entre a promessa de economia e a realidade, existe um risco que quase ninguém comenta.

Nos últimos anos, a criação de holdings se popularizou no ambiente empresarial brasileiro. Em meio a promessas de redução de impostos, proteção patrimonial e facilitação da sucessão familiar, muitos empresários passaram a enxergar essa estrutura como uma solução quase automática.

Mas é justamente aí que mora o risco.

A ideia de que uma holding, por si só, é capaz de eliminar problemas tributários ou garantir segurança patrimonial não passa de um mito — e, em muitos casos, um mito perigoso.

Na essência, a holding é uma empresa criada com o objetivo de administrar bens ou participações societárias. Quando bem estruturada, pode cumprir um papel relevante na organização do patrimônio, na redução de conflitos familiares e na construção de um processo sucessório mais eficiente e menos traumático.

Além disso, dependendo do caso, pode trazer ganhos de eficiência tributária — sempre dentro dos limites da legalidade.

No entanto, o que se observa na prática é uma crescente banalização do uso dessa estrutura. Holdings sendo constituídas sem planejamento adequado, sem propósito definido e, muitas vezes, apenas como resposta a uma promessa de economia fiscal.

O resultado? Estruturas frágeis, com confusão entre pessoa física e jurídica, ausência de governança e alto risco de questionamento por parte do fisco.

Não são raras as situações em que aquilo que foi concebido como “planejamento tributário” acaba sendo desconsiderado, gerando autuações, multas e insegurança jurídica.

É importante compreender que a holding não é um atalho. Trata-se de uma ferramenta estratégica que exige análise criteriosa, alinhamento com os objetivos da família ou da empresa e, principalmente, uma execução técnica consistente.

Mais do que abrir uma empresa, estamos falando de estruturar relações patrimoniais, definir regras de convivência societária e preparar o futuro.

E isso não se faz com fórmulas prontas.

Empresários que enxergam a holding apenas sob a ótica da economia tributária tendem a ignorar o seu verdadeiro valor — que está na organização, na previsibilidade e na sustentabilidade das relações ao longo do tempo.

Em outras palavras, a holding, quando bem utilizada, não resolve apenas questões fiscais. Ela contribui para algo muito maior: a perenidade do patrimônio e a harmonia entre gerações.

Por isso, antes de pensar em abrir uma holding, a pergunta correta não é “quanto imposto vou economizar?”, mas sim: “qual problema estou tentando resolver?”

A resposta a essa pergunta é o que separa uma boa estratégia de um risco silencioso.

Porque, no fim, como em toda boa construção, não é a aparência que sustenta a estrutura — é o projeto.

¹Marcelo Viaro Berloffa é mestre em contabilidade, empresário contábil e conselheiro eleito no CRC-SP. Membro da Academia Pedreirense de Letras – Cadeira nº 18 – Patrono: Henrique Bonaldo.

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