Entre Shakespeare e Brasília: poder, responsabilidade e o preço do mandato
Até debaixo dos céus de Brasília, o bardo inglês, Shakespeare, encontra morada. Qualquer Ricardo III, o vilão de retórica afiada e alma ambiciosa, encarna o desvio que o Senado deve, por ofício, podar.
Ali não se discute a pena de reclusão do Código Penal, mas o crime de responsabilidade: a traição contra o cargo. Se a CPI investiga e o relatório final aponta a chaga, é para que a "postura administrativa" purgue, sane, modifique a gestão.
O juiz comum cuida do cárcere; o senador, da cadeira.
Como na peça, a corrupção administrativa é o inverno frio, e o rito político é o sol de York que tenta trazer luz.
O Direito é sempre a gramática que deve limitar os atos dos tiranos, impedindo que o Estado se torne o pântano repleto de seres famintos e devoradores.
O relatório do senado é a denúncia que ecoa nos corredores do poder, recordando que o mandato não é posse, mas mero encargo.
Pois, na hora do acerto, quando a legitimidade se esvai,
Resta apenas o grito: "Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!"
O Reino: É o mandato, o foro privilegiado, o prestígio e o poder de assinar decretos.
O Cavalo: É a ‘saída honrosa’, o Habeas Corpus, ou o ‘acordaço’ político de última hora.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA
