*Por: Sidenei Defendi
Segundo consta — e aqui falamos daquelas verdades que caminham de boca em boca, que o vento ainda sopra, em relatos guardados no fio da memória viva — o imóvel da fotografia teria servido como senzala da antiga propriedade de Luiz Wenceslau de Godoy Moreira.
Na Rua Siqueira Campos, exatamente onde hoje o tempo tratou de erguer outros destinos: uma oficina mecânica e o Edifício Flor da Porcelana ocupam o mesmo chão que já testemunhou histórias que não estão relatadas em livros.
No final dos anos de 1960, o prédio assumiu outra função, tornou-se um dos depósitos de gás da cidade. O outro operava em parte da Cerâmica São Francisco, na Rua XV de Novembro, ambos sob responsabilidade da empresa Batoni & Lopes, distribuidora exclusiva da Ultragaz. O progresso, como de costume, não pediu licença à história, apenas a recobriu.
E ali, um pouco mais adiante, o portão. Discreto, quase cúmplice do passado. Era a entrada para a Chácara do Politi, onde também morou a Família de Paulo Kobayashi. Antes mesmo da fase como depósito da Batoni & Lopes, o local já servia ao armazenamento de produtos agrícolas — como se a terra insistisse em lembrar sua vocação, ainda que cercada por mudanças.
O que resta hoje? Paredes substituídas, funções reinventadas… a Cidade cresceu, e os espaços que antes geravam aromas diversos, oriundos de frutos, legumes e verduras, pela fertilidade do solo, agora acolhem prédios.
(Este texto foi reconstituído, em 17 de março de 2026, às 20h25, para ser transcrito no Bote a Boca Online. O original, bem diferente, foi elaborado para o Blog Pedreira Agora, no dia 5/08/2013, tendo como incentivo a foto extraída da página do Facebook “Fotos da História de Pedreira”).
*Sidenei Defendi é jornalista profissional, mestre de cerimônias, “content creator” e Titular da Cadeira nº 5 (Edgard Roquette-Pinto) da Academia Pedreirense de Letras.
